sexta-feira, 25 de novembro de 2016

BRINQUEDOS E IMAGINÁRIO INFANTIL

Nos anos setenta consolidou-se definitivamente uma indústria da infância personificada pela produção de brinquedos a partir de um imaginário massificado que estabelecia novas sensibilidades infantis de inspiração midiática. Creio que minha geração foi a primeira a experimentar de forma franca este fenômeno. E não vejo nada de negativo nisso. Creio que este novo imaginário da infância e do lúdico formatado pelos HQs representou a construção de um ethos infantil que via no ethos do super herói um modelo de desenvolvimento individual, contribuindo assim para o desenvolvimento da personalidade. Evidentemente afirmo isso tendo por referencia o meu próprio exemplo. Não tenho aqui a pretensão de uma defesa de tese.

Bem me lembro quando ganhei um kit composto de uma capa e mascara do Batman. A identificação com a personagem através da fantasia me garantiu mais do que boas horas de diversão, mas um pouco de estimulo ao desenvolvimento e consolidação do meu próprio eu.

Ao mesmo tempo, imaginário infantil estabelecia uma distancia entre a realidade adulta e infantil, permitindo a criança certa autonomia relativa frente a autoridade dos país, uma vez que em seus devaneios lúdicos estabelecia um território que era inacessível aos adultos.  


As brincadeiras infantis que relato aqui fogem a dinâmica clássica dos brinquedos artesanais de madeira das décadas anteriores, muitas vezes construídos pelos próprios pais da criança ou outro adulto próximo ou dos jogos transmitidos de uma geração para outra, como o jogo de amarelinha.  Trata-se nos casos relatados de um lúdico que substitui a repetição e a regra pela invenção, pelo improviso. 

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