Os anos setenta foram
musicalmente ricos. Na casa dos meus pais ouvíamos radio praticamente o dia
todo. O aparelho da minha mãe, de válvulas, havia sido montado por um irmão
adotivo que se suicidou muito jovem e não cheguei a conhecer. Tinha um certo
valor sentimental. Já na casa dos meus avós, era mais comum ouvir musica através de um pequeno toca discos, mas que era acompanhado
de duas caixas de som potentes.
Predominava naquela época a disco
música e o bom hard rock, seguido por um
pouco de MPB. Definitivamente, a qualidade da safra musical daquele período
muito dificilmente será repetida algum dia. Predominava uma certa atmosfera psicodélica que definia a sensibilidade estética
de então e fazia da musica uma experiência
rítmica e física. A dança nunca foi tão popular como nos anos setenta. Mas
eu ainda era apenas uma criança. A musica
servia apenas de pano de fundo para o acontecer da existência. Hoje,
entretanto, ela é um lugar de memoria e
identidade pessoal. É preciso ter certa
idade para entender a expressão flash back em seu sentido mais profundo. A
musica contemporânea , afinal, não tem a plasticidade necessária a conversão em
um lugar de memória.
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