Meu avô materno era pedreiro de
profissão e construiu a casa em que morava em uma tira de terreno comprada na
periferia da cidade depois que deixou a área rural. Minha mãe, meu tio e minha
tia, embora crianças, foram seus únicos ajudantes. Mas não sei maiores detalhes
sobre a construção da casa. Na fachada
da construção consta até hoje uma pequena placa com o nome que escolheu para
batizar sua nova residência: Vila Mafalda. Trata-se de uma homenagem a minha
bisavó.
Praticamente nada sei sobre meus
bisavós. Meu avô foi criado na roça pela
minha bisavó e jamais conheceu o pai. Até onde sei era filho único. Não
frequentou escola regular. Muito porcamente conseguia ler e escrever. Além
disso era dono de uma personalidade forte e viril. Temido na vizinhança pela
sua voz potente e o habito de não levar desaforo para casa, habituando-se a desafiar qualquer um que o contrariasse com a foice e o facão que guardava em casa.
Sempre ficava nas preliminares ameaças graças as intervenções desesperadas da
minha avó para conte-lo.
Os primeiros anos de uma criança são definidos pelo ambiente e pelos adultos com os quais convive dada sua absoluta dependência de cuidados. O adulto do seu convívio definem os limites do mundo com o qual ela aprende a lidar.
Os primeiros anos de uma criança são definidos pelo ambiente e pelos adultos com os quais convive dada sua absoluta dependência de cuidados. O adulto do seu convívio definem os limites do mundo com o qual ela aprende a lidar.
Minha mãe era professora primária
e meu pai policial militar. Fui filho de funcionários públicos que levavam uma
vida modesta, mas nunca passei qualquer tipo de necessidade. Meus pais
trabalhavam fora e , eu e minha irmã, que tem apenas um ano a menos que eu, passávamos
os dias de semana na casa dos meus avós maternos. No inicio da noite éramos
resgatados por nossos pais e caminhávamos até em casa. Era uma boa distancia.
Cerca de um pouco mais de uma hora de caminhada. Apenas nos dias chuvosos utilizávamos
os serviços de algum taxi que eventualmente encontrássemos pelo caminho.
Minha avó materna, pelos mimos e
atenção, logo se tornou uma referencia afetiva para mim. Era uma senhora de voz mansa e portadora de uma personalidade
singularmente serena e afetuosa. É bem
verdade que não me lembro dela hoje em
dia com alguma nitidez . Por ocasião de
seu falecimento, em 1979, eu contava apenas oito anos.
Minha tia morava com meus avós e
era a segunda referencia afetiva desta minha segunda casa. Meu avô nesta
época trabalhava durante o dia inteiro
em uma usina de açúcar da região. Chegava do trabalho no fim do dia mais ou menos na mesma hora em que retornávamos
para casa.
Quanto aos meus avós paternos,
não cheguei a conhece-los. Faleceram antes de causas naturais. Embora, pelo que
dizem não cultivassem laços de fraternidade e amizade, eram vizinhos de muro.
Atribui-se a algum tipo de enfermidade mental deste meu avô paterno o relacionamento
conflituoso que passou a ter com meu avô materno.
A casa dos meus avós ficava em uma tira de terra que desembocava em uma lagoa. A chamada lagoa do Vigário. Tinha este nome por conta da lenda de um padre que teria morrido afogado. Seu fantasma, segundo os rumores, fora por diversas ocasiões avistado caminhando sobre suas águas. O terreno era coberto por arvores frutíferas.
A casa dos meus avós ficava em uma tira de terra que desembocava em uma lagoa. A chamada lagoa do Vigário. Tinha este nome por conta da lenda de um padre que teria morrido afogado. Seu fantasma, segundo os rumores, fora por diversas ocasiões avistado caminhando sobre suas águas. O terreno era coberto por arvores frutíferas.
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