quarta-feira, 23 de novembro de 2016

SOBRE MEUS AVÓS MATERNOS

Meu avô materno era pedreiro de profissão e construiu a casa em que morava em uma tira de terreno comprada na periferia da cidade depois que deixou a área rural. Minha mãe, meu tio e minha tia, embora crianças, foram seus únicos ajudantes. Mas não sei maiores detalhes sobre a construção da casa.  Na fachada da construção consta até hoje uma pequena placa com o nome que escolheu para batizar sua nova residência: Vila Mafalda. Trata-se de uma homenagem a minha bisavó.

Praticamente nada sei sobre meus bisavós. Meu avô  foi criado na roça pela minha bisavó e jamais conheceu o pai. Até onde sei era filho único. Não frequentou escola regular. Muito porcamente conseguia ler e escrever. Além disso era dono de uma personalidade forte e viril. Temido na vizinhança pela sua voz potente e o habito de não levar desaforo para casa, habituando-se  a desafiar qualquer um que o contrariasse  com a foice e o facão que guardava em casa. Sempre ficava nas preliminares ameaças graças as intervenções desesperadas da minha avó para conte-lo.

Os primeiros anos  de uma criança são definidos pelo ambiente e pelos adultos com os quais convive  dada sua absoluta dependência de cuidados. O adulto do seu convívio definem os limites do mundo com o qual ela aprende a lidar.

Minha mãe era professora primária e meu pai policial militar. Fui filho de funcionários públicos que levavam uma vida modesta, mas nunca passei qualquer tipo de necessidade. Meus pais trabalhavam fora e , eu e minha irmã, que tem apenas um ano a menos que eu, passávamos os dias de semana na casa dos meus avós maternos. No inicio da noite éramos resgatados por nossos pais e caminhávamos até em casa. Era uma boa distancia. Cerca de um pouco mais de uma hora de caminhada. Apenas nos dias chuvosos utilizávamos os serviços de algum taxi que eventualmente encontrássemos pelo caminho.

Minha avó materna, pelos mimos e atenção, logo se tornou uma referencia afetiva para mim. Era uma senhora  de voz mansa e portadora de uma personalidade singularmente serena e afetuosa.  É bem verdade que não me lembro dela  hoje em dia com alguma nitidez .  Por ocasião de seu falecimento, em 1979,  eu contava apenas oito anos.

Minha tia morava com meus avós e era a segunda referencia afetiva desta minha segunda casa. Meu avô nesta época  trabalhava durante o dia inteiro em uma usina de açúcar da região. Chegava do trabalho no fim do dia  mais ou menos na mesma hora em que retornávamos  para casa.

Quanto aos meus avós paternos, não cheguei a conhece-los. Faleceram antes de causas naturais. Embora, pelo que dizem não cultivassem laços de fraternidade e amizade, eram vizinhos de muro. Atribui-se a algum tipo de enfermidade mental deste meu avô paterno o relacionamento conflituoso que passou a ter com meu avô materno.

A casa dos meus avós ficava em uma tira de terra que desembocava em uma lagoa. A chamada lagoa do Vigário. Tinha este nome por conta da lenda de um padre que teria morrido afogado. Seu fantasma, segundo os rumores, fora por diversas ocasiões avistado caminhando sobre suas águas. O terreno era coberto por arvores frutíferas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário