Com base nos relatos de meus
familiares, devo admitir que não fui um infante dos mais agradáveis. Minha mãe
teve um parto difícil. Demorei horas para nascer. Se a primeira coisa que
aprendemos ao nascer é respirar por conta própria e a chorar, admito que me
dediquei com afinco a esta segunda habilidade ao longo dos meus primeiros anos.
Fui uma criança manhosa. Mais do que o normal e tolerável. Dizem que também demorei para aprender a
andar e a falar. Além disso, recusei o leite da minha mãe e acabei tendo uma
mãe de leite branca que , no mesmo período havia gerado a mais velha de suas três
filhas. Em outras palavras, tenho uma irmã de leite com a qual, entretanto,
nunca tive muito contato. Tal peculiaridade caiu no esquecimento e nunca
inspirou qualquer tipo de aproximação.
Quando minha irmã nasceu, a ideia
de ter uma segunda criança na casa para dividir as atenções e os cuidados
claramente não me agradou e a hostilizei do modo inocente e sem formalidades típico
de qualquer infante que vê seu reino ameaçado. Mas logo superei isso e minha
irmã , como não poderia deixar de ser, se converteu na única companhia que
dispunha para brincar.
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