Nasci em uma cidade pequena de
interior de província de um país de lugar nenhum no dia 14 de outubro de 1971,
por volta das 13 horas e 30 minutos. Não possuo, obviamente, qualquer memória
deste acontecimento. Não posso revelar detalhes como, por exemplo se era uma
tarde de sol ou de chuva. Mas foi nesta
data que nasci.
A lembrança mais antiga que
possuo é de estar sozinho no quintal da
casa dos meus avós maternos brincando com uma bexiga. Creio que tinha em torno
de cinco anos. Talvez menos. Apenas sei o sentimento de perda que me invadiu
quando aquela bexiga azul escapou-me de repente das mãos e ganhou o céu de
mesma cor até desaparecer nele.
Tal experiência produziu em mim
uma forte impressão, uma sensação de perda e melancolia da qual até hoje me
lembro. É claro que com tal idade não me identificava ainda com meu eu e os objetos eram parte da experiência de mim
mesmo. Talvez isso explique um pouco porque tão corriqueiro fato me
impressionou tanto. A imagem do contraste entre o azul do balão e o azul do céu
cobriu de numem aquele momento aparentemente tão banal.
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