Uma ocasião realmente dramática destes
anos de primeira infância se deu quando fui submetido à cirurgia de
postectomia. Operar fimose foi para mim um grande trauma. Não apenas pela
operação em si, mas também pelos rigores do pós operatório. Regularmente tive
que retornar por um certo período ao hospital para trocar os curativos. Mesmo os intensos cuidados da minha avó,
fazendo todo tipo de comida que eu mais gostava, não foram suficientes para
diminuir meu desconforto com a situação.
Se bem me lembro, a operação fora
sugerida pelo meu pediatra por conta de alguma infecção urinária. Não foi um
procedimento simples, ao contrário do que é garantido pela literatura
especializada. Pelo menos do ponto de vista
psicológico.
Em outra ocasião, um pediatra
sugeriu a minha mãe que um pedaço da minha língua fosse cortada. Tudo por conta
de uma suspeita de que eu sofria de algum tipo de dislexia. Para minha sorte minha
mãe teve o bom senso de não levar a serio a sugestão. Tempos depois ,quando
consultou um segundo medico sobre o mesmo tema, ele esclareceu com propriedade que caso fosse acatada a sugestão do medico anterior,
eu muito provavelmente acabaria mudo.
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