segunda-feira, 28 de novembro de 2016

AMOR PLATÔNICO

Se na primeira a quarta serie do ensino fundamental a vida escolar não passava de uma obrigação amarga. A partir da quinta série, pelo menos, comecei a desenvolver laços afetivos com meus colegas de escola. Nunca fui muito de me enturmar, mas aos poucos a convivência diária  com outras crianças passou a ser importante  para mim. Mesmo assim não fazia amizades muito intimas. Na verdade eu me apegava a convivência com a classe escolar  que frequentava . Mas foi mais ou menos nesta época que se desenvolveu minha primeira paixonite platônica. Hoje nem mesmo me lembro do nome dela. 

Acho que nunca chegamos se quer a nos dirigir a palavra. Mas a simples presença dela fazia meu coração bater mais forte e, mesmo em casa, sonhava com sua companhia. Tal sentimento, como tudo que dizia respeito as minhas emoções mais íntimas, não compartilhava com ninguém.  Hoje, pelo pouco que me lembro a menina em questão nada tinha de especial. Era uma magricela alta de cabelos escorridos e grandes e expressivos olhos verdes que lhe faziam parecer um espantalho.

Não sei quanto tempo durou aquela fantasia. Mas terminou tão repentinamente como começou. Mas alguns semestres depois, já estava eu sonhando com outra garota. Esta pelo menos estava no meu circulo de amizades. O que não foi suficiente para tornar o episódio diferente. Varias vezes ameacei me declarar para ela. Como tinha menos de nove anos e nenhuma ideia de como proceder em tal situação, acabei apenas guardando aquele sentimento comigo até que, como da vez anterior, desparecesse.

A fantasia do amor romântico já havia adentrado minha imaginação através das comedias românticas e alguns clássicos do cinema tão populares da telinha da TV.  Creio que esta era a principal referencia para estas primeira paixonites infantis.


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