Se na primeira a quarta serie do
ensino fundamental a vida escolar não passava de uma obrigação amarga. A partir
da quinta série, pelo menos, comecei a desenvolver laços afetivos com meus
colegas de escola. Nunca fui muito de me enturmar, mas aos poucos a convivência
diária com outras crianças passou a ser
importante para mim. Mesmo assim não
fazia amizades muito intimas. Na verdade eu me apegava a convivência com a
classe escolar que frequentava . Mas foi
mais ou menos nesta época que se desenvolveu minha primeira paixonite platônica.
Hoje nem mesmo me lembro do nome dela.
Acho que nunca chegamos se quer a nos
dirigir a palavra. Mas a simples presença dela fazia meu coração bater mais
forte e, mesmo em casa, sonhava com sua companhia. Tal sentimento, como tudo
que dizia respeito as minhas emoções mais íntimas, não compartilhava com ninguém.
Hoje, pelo pouco que me lembro a menina
em questão nada tinha de especial. Era uma magricela alta de cabelos escorridos
e grandes e expressivos olhos verdes que lhe faziam parecer um espantalho.
Não sei quanto tempo durou aquela
fantasia. Mas terminou tão repentinamente como começou. Mas alguns semestres
depois, já estava eu sonhando com outra garota. Esta pelo menos estava no meu
circulo de amizades. O que não foi suficiente para tornar o episódio diferente.
Varias vezes ameacei me declarar para ela. Como tinha menos de nove anos e nenhuma
ideia de como proceder em tal situação, acabei apenas guardando aquele
sentimento comigo até que, como da vez anterior, desparecesse.
A fantasia do amor romântico já havia
adentrado minha imaginação através das comedias românticas e alguns clássicos do
cinema tão populares da telinha da TV. Creio
que esta era a principal referencia para estas primeira paixonites infantis.
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