quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A ESCOLA: A PRIMEIRA RUPTURA

Não me lembro exatamente  quando comecei a cursar educação formal.  Mas, definitivamente, esta deve ter sido a primeira mudança significativa em meu mundo vivido até então. Como é comum a qualquer criança, acho que apresentei certa resistência a ideia de ser alfabetizado em um lugar estranho a minha casa.  Mesmo que antes disso minha avó tenha se incumbido de me apresentar algumas competências da vida da sociedade, se assim posso dizer. . Talvez tenha sido no mesmo período em que ela  começou a tentar me tirar o delicioso habito de  comer com as mãos . De inicio detestei o uso de talheres que me impedem de bem misturar a comida.

Apesar do humilde salário de professora primaria, minha mãe optou por me matricular em uma escola particular. Talvez, justamente por ser professora da rede pública tenha  desenvolvido certo ceticismo quanto a qualidade da educação proporcionada pelo Estado e via no ensino privado a promessa de uma educação que pudesse garantir um futuro mais promissor.

Lembro-me um pouco das aulas de alfabetização. Minha primeira professora era uma jovem chamada Celina. Eu era do tipo de aluno tímido, bem comportado e visivelmente amedrontado com o mundo exterior. Não demorei para  cair nas graças dela e me converter em um de seus alunos prediletos. Minha mãe sempre me ajudava com os deveres de casa.

Achava estudar desagradável e inútil como toda criança da minha idade. Ficava ansioso para terminar as obrigações e poder me entregar as horas de ócio e brincadeiras. A disciplina da escola me desagradava e não fazia amizades fácil.  Tudo me parecia hostil. Mas apesar disso fui me adaptando a  vida escolar sem grandes traumas ou dramas.


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