Não me lembro exatamente quando comecei a cursar educação formal. Mas, definitivamente, esta deve ter sido a
primeira mudança significativa em meu mundo vivido até então. Como é comum a
qualquer criança, acho que apresentei certa resistência a ideia de ser
alfabetizado em um lugar estranho a minha casa. Mesmo que antes disso minha avó tenha se incumbido
de me apresentar algumas competências da vida da sociedade, se assim posso
dizer. . Talvez tenha sido no mesmo período em que ela começou a tentar me tirar o delicioso habito
de comer com as mãos . De inicio
detestei o uso de talheres que me impedem de bem misturar a comida.
Apesar do humilde salário de
professora primaria, minha mãe optou por me matricular em uma escola
particular. Talvez, justamente por ser professora da rede pública tenha desenvolvido certo ceticismo quanto a
qualidade da educação proporcionada pelo Estado e via no ensino privado a
promessa de uma educação que pudesse garantir um futuro mais promissor.
Lembro-me um pouco das aulas de
alfabetização. Minha primeira professora era uma jovem chamada Celina. Eu era
do tipo de aluno tímido, bem comportado e visivelmente amedrontado com o mundo
exterior. Não demorei para cair nas
graças dela e me converter em um de seus alunos prediletos. Minha mãe sempre me
ajudava com os deveres de casa.
Achava estudar desagradável e inútil
como toda criança da minha idade. Ficava ansioso para terminar as obrigações e
poder me entregar as horas de ócio e brincadeiras. A disciplina da escola me
desagradava e não fazia amizades fácil.
Tudo me parecia hostil. Mas apesar disso fui me adaptando a vida escolar sem grandes traumas ou dramas.
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