segunda-feira, 28 de novembro de 2016

APRENDENDO A INFÂNCIA

O sentimento de infância que eu experimentava nesta época ainda  não era muito claro. Tinha a ingênua convicção de que era diferente das demais crianças, que pensava como uma espécie de quase adulto. A condição de criança me parecia inadequada. Talvez tal fantasia apenas revelasse uma necessidade natural de auto afirmação já que a vida adulta, para uma criança, não passa de um status onde é possível fazer tudo aquilo que se deseja.  Nada mais natural do que querer diferenciar-se das outras crianças. Nunca compartilhei, entretanto, convicção publica. Tratava como um segredo.

Confesso que não tenho qualquer lembrança quanto a momentos importantes do meu desenvolvimento infantil. Não sei, por exemplo, qual foi  a sensação de aprender a andar ou de  dominar a fala. Conquistas que certamente alteraram minha relação com o mundo de modo significativo, como aprender a ir no banheiro e tomar banho sozinho.  Apenas sei por ouvir falar que a primeira vez que andei foi na casa dos meus avós e em direção ao meu avô.

Minhas lembranças de infância são fragmentárias e não permitem uma periodização linear e evolutiva do meu desenvolvimento. Até porque na época eu não tinha a menor  consciência da importância destes momentos. Pouco sabia ou pensava sobre a própria existência. Como toda criança eu era pragmático e impulsivo.  


Um fato curioso que merece destaque ocorreu mais ou menos no período entre os seis e sete anos: Comecei a usar óculos. Minha professora percebeu que eu tinha dificuldades para enxergar no quadro negro  e copiar os exercícios. Foi quando descobri que sofria de miopia e astigmatismo.  Isso não foi problema algum para mim.  Acho que gostei da novidade de usar óculos. 

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