O sentimento de infância que eu
experimentava nesta época ainda não era
muito claro. Tinha a ingênua convicção de que era diferente das demais
crianças, que pensava como uma espécie de quase adulto. A condição de criança
me parecia inadequada. Talvez tal fantasia apenas revelasse uma necessidade
natural de auto afirmação já que a vida adulta, para uma criança, não passa de
um status onde é possível fazer tudo aquilo que se deseja. Nada mais natural do que querer diferenciar-se
das outras crianças. Nunca compartilhei, entretanto, convicção publica.
Tratava como um segredo.
Confesso que não tenho qualquer
lembrança quanto a momentos importantes do meu desenvolvimento infantil. Não
sei, por exemplo, qual foi a sensação de
aprender a andar ou de dominar a fala.
Conquistas que certamente alteraram minha relação com o mundo de modo
significativo, como aprender a ir no banheiro e tomar banho sozinho. Apenas sei por ouvir falar que a primeira vez
que andei foi na casa dos meus avós e em direção ao meu avô.
Minhas lembranças de infância são
fragmentárias e não permitem uma periodização linear e evolutiva do meu
desenvolvimento. Até porque na época eu não tinha a menor consciência da importância destes momentos.
Pouco sabia ou pensava sobre a própria existência. Como toda criança eu era
pragmático e impulsivo.
Um fato curioso que merece
destaque ocorreu mais ou menos no período entre os seis e sete anos: Comecei a usar óculos. Minha professora percebeu que eu tinha dificuldades para
enxergar no quadro negro e copiar os exercícios.
Foi quando descobri que sofria de miopia e astigmatismo. Isso não foi problema algum para mim. Acho que gostei da novidade de usar óculos.
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