A casa dos meus pais era composta
por dois quartos, sala, cozinha, varanda e uma copa. Não era muito grande, mas possuía
um bom quintal decorado por um vultoso jardim. Gostava de inventar brincadeiras
com minha irmã em meio as folhagens que em nosso imaginário infantil podia ser
comparado a uma selva. Quando não estávamos
ali, víamos televisão. A vida era demasiadamente simples e alternava o brincar,
o comer e o dormir.
Quando em casa minha mãe
realizava as tarefas domesticas sempre cantando. Tinha uma voz potente e
dramática e um repertório de clássicos populares da primeira metade do século.
Não me ocorre lembrar no momento qualquer música especifica. Mas era uma
experiência melancólica escuta-la cantando durante o entardecer...
Desde pequeno eu revelei uma
atração imensa pela televisão, que na época ainda não era um eletrodoméstico tão
popular como hoje. Inicialmente pedia para ver na TV do vizinho, através da
cerca, o programa de auditório de um
apresentador chamado Chacrinha, que tinha grande audiência. Diante do meu
interesse minha mãe comprou em pouco tempo nossa própria televisão. Eu deveria
ter uns três ou quatro anos e quando tive contato com o aparelho de TV tão de
perto me senti intimidado. Demorei um pouco para me acostumar com a novidade.
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