quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A CASA DOS MEUS PAIS

A casa dos meus pais era composta por dois quartos, sala, cozinha, varanda e uma copa. Não era muito grande, mas possuía um bom quintal decorado por um vultoso jardim. Gostava de inventar brincadeiras com minha irmã em meio as folhagens que em nosso imaginário infantil podia ser comparado a uma selva.  Quando não estávamos ali, víamos televisão. A vida era demasiadamente simples e alternava o brincar, o comer e o dormir.

Quando em casa minha mãe realizava as tarefas domesticas sempre cantando. Tinha uma voz potente e dramática e um repertório de clássicos populares da primeira metade do século. Não me ocorre lembrar no momento qualquer música especifica. Mas era uma experiência melancólica escuta-la cantando durante o entardecer...

Desde pequeno eu revelei uma atração imensa pela televisão, que na época ainda não era um eletrodoméstico tão popular como hoje. Inicialmente pedia para ver na TV do vizinho, através da cerca,  o programa de auditório de um apresentador chamado Chacrinha, que tinha grande audiência. Diante do meu interesse minha mãe comprou em pouco tempo nossa própria televisão. Eu deveria ter uns três ou quatro anos e quando tive contato com o aparelho de TV tão de perto me senti intimidado. Demorei um pouco para me acostumar com a novidade.



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