sexta-feira, 25 de novembro de 2016

COTIDIANO ESCOLAR

Na rotina escolar, como todo bom aluno,  apreciava apenas a hora do recreio e o lanche na cantina da escola quando não levava merendeira e, obviamente a hora da saída. Até onde me lembro não fiz nenhuma amizade durante o ensino fundamental, mas me relacionava bem com os colegas de classe.

A escola era de franca orientação conservadora. Toda manhã, antes do inicio das aulas, éramos dispostos em colunas no pátio para cantar o hino nacional e rezar. Ser obrigado a vestir uniforme para frequentar as aulas transformava a condição de estudante em uma obrigação sofrida. Quando na escola meu único pensamento era voltar para casa  e poder brincar e ver televisão. A única atividade interessante era colorir alguns desenhos com temáticas e relativas a datas festivas e cívicas.

Era costume naquela época encapar os livros didáticos com plásticos estampados e uma etiqueta  com a  identificação do aluno e a série letiva. Tal cuidado era apreciado pelos professores e interpretado como um indício de capricho e organização. Para nós alunos o que realmente importava era a mochila. De modo bem discreto uma boa mochila garantia um certo status e alguma subjetividade em contraste com a impessoalidade do uso obrigatório do  uniforme.


Considerando que a escola foi o primeiro espaço de convívio social e instituição pública que frequentei, posso dizer que muito precocemente revelei certa aversão aos intercâmbios societários.  Normalmente era minha tia quem me buscava na escola. Passava as tardes na casa dos meus avós. 

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