A sinceridade involuntária é normalmente
atribuída ao comportamento infantil. Nada mais justo. Em certa ocasião, quando um vendedor bateu a porta de casa, orientado
por minha mãe, fui atender ao portão com a incumbência de dispensa-lo com o
argumento de que não havia mais ninguém em casa. Eu, entretanto,
imprudentemente, informei que minha mãe havia pedido para dizer que não havia ninguém
em casa. O que provocou risos do vendedor.
Nem sempre, entretanto, a
ingenuidade infantil manifesta-se de forma tão inocente e cômica. Em outra
ocasião, acho que de festividades de fim de ano, minha avó carinhosamente me
presenteou com uma peça de roupa e uma lata de talco. Recusei os presentes de forma truculenta,
repudiando deselegantemente as prendas oferecidas. Pouco me importava o carinho
da minha avó. Apenas estava furioso por não ter ganhado mais um brinquedo. Mesmo
depois de recriminado pela minha mãe, não tinha a menor consciência de ter me
comportado mal. Hoje lamento muito o ocorrido. Mas na ocasião, achava
absolutamente natural minha descuidada espontaneidade.
No fundo, as crianças não são
exatamente ingênuas. Sua inocência esconde uma boa dose de narcisismo e egoismo,
como fica bem claro neste meu exemplo .
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