Atualmente as coisas envelhecem
tão rapidamente que não temos tempo para nos acostumar com elas. Nada é
durável, de longo prazo. Tudo desaparece cedo demais. Habitamos uma cultura
nômade onde o passado imediato não sustenta o instante de agora. O tempo
presente sobrevive de atualizações constantes de um passado indeterminado que
não nos nutre identidades, mas estabelece deslocamentos.
É tempo de desreinzamentos, do
ontem como ruína e poeira que se acumulam sob os nossos pés em movimento no solo incerto do momento presente. Vivemos a deriva. Não sei
que sentido tem hoje qualquer sentimento de nostalgia já que o passado não nos
formata mais o presente através da estabilidade cultural das velhas tradições e
identidades.
Lembrar é um modo de evasão ou
fuga da fugacidade do agora. Não há mais tempo histórico, linear ou acumulo de
experiências. Apenas um estar à deriva em meio ao passar frenético das coisas. A
memoria nos lança na contramão dos acontecimentos e do envelhecimento
incessante como um inútil exercício poético, um gesto desesperado de autoafirmação em em meio aos silêncios e vazios que o devir. cronológico nos impõe.
Escrever biografias se tornou uma
nova modalidade de romance, um gênero literário onde a ficção faz do eu um
objeto de imaginação e narrativa.

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