segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

TV E MEMORIA

Quem como eu nasceu no inicio dos anos 70 do século XX pode definir-se, em termos culturais,  como um filho da televisão. Possuímos indiscutivelmente uma memória midiática ou televisiva. Filmes, séries de TV e desenhos animados povoam nossas lembranças e dizem o passado com a mesma intensidade que qualquer acontecimento concreto.  Certos itens da programação da TV nos despertaram tamanha identificação que se converteram em identidade, em uma vivencia subjetiva estruturadora de sensibilidades e rotinas constituindo, assim, parcela significativa do nosso passado lembrado.  Não surpreende, portanto, que tenham se convertido em  parte de nossa experiência mais pessoal. 

A TV diz de modo realmente singular o mundo no qual crescemos e nossas sensibilidades infantis ampliando a memória para além da experiência concreta do individuo. Um determinado filme pode nos dizer uma época da vida e determinada vivencia passional. Ao mesmo tempo ele não passa de uma peça de entretenimento de massa. Mas nem por isso se torna menos autentico enquanto  veículo de experimentações privadas e objeto de apropriação  afetiva.

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