Quem como eu nasceu no inicio dos
anos 70 do século XX pode definir-se, em termos culturais, como um filho da televisão. Possuímos
indiscutivelmente uma memória midiática ou televisiva. Filmes, séries de TV e
desenhos animados povoam nossas lembranças e dizem o passado com a mesma
intensidade que qualquer acontecimento concreto. Certos itens da programação da TV nos despertaram
tamanha identificação que se converteram em identidade, em uma vivencia
subjetiva estruturadora de sensibilidades e rotinas constituindo, assim,
parcela significativa do nosso passado lembrado. Não surpreende, portanto, que tenham se
convertido em parte de nossa experiência
mais pessoal.
A TV diz de modo realmente singular o mundo no qual crescemos e
nossas sensibilidades infantis ampliando a memória para além da experiência
concreta do individuo. Um determinado filme pode nos dizer uma época da vida e
determinada vivencia passional. Ao mesmo tempo ele não passa de uma peça de entretenimento
de massa. Mas nem por isso se torna menos autentico enquanto veículo de experimentações privadas e objeto
de apropriação afetiva.

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