Foi ao longo do ensino médio que
comecei a escrever missivas para donos de zines, bandas, simplesmente, pessoas que compartilhavam o mesmo gosto
musical que eu. Todos os dias aguardava ansioso a visita dos correios e a novidade de alguma
cartinha nova. Nunca conheci pessoalmente qualquer um dos meus correspondentes,
mas virtualmente eles faziam parte do meu cotidiano.
Mantive o habito de cultivar
correspondências por alguns bons anos. Era uma forma de perceber que o mundo
era maior do que as fronteiras do meu viver pequeno de cidade do interior.
Durante a adolescência cultivei ardentemente o sonho de sair de casa e
descobrir o mundo, lugares e coisas
novas. Tudo me parecia pequeno e
provinciano a minha volta. A verdade é que nunca estive satisfeito com minha
própria vida.

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