segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A FRAGILIDADE DO PASSADO E A FOME DE MEMÓRIAS

Somos na urgência do agora. Quando através da memoria nos confrontamos com nosso passado, com este acumulo de instantes ausentes que agora se apresentam  como fantasmas ou meras abstrações minemônicas, sofremos naturalmente  algum tipo de desconforto.

 Se o passado formata o presente, a percepção do passar do tempo, por sua vez, é perturbadora quando nos damos conta das tantas coisas, circunstâncias e pessoas irremediavelmente perdidas.

Tudo passa e deixa rastros quase imperceptíveis e é como se não existissem a não ser como memoria rasa e vaga que não lhes confere qualquer tipo de realidade. Lembrar não passa da constatação de uma ausência, de uma não presença ou contemporaneidade.

O passado não se perpetua como narrativa e nem mesmo como lembrança. Ele é um não lugar, um vazio que não para de crescer. Escrever memorias ou biografias é lidar com este silêncio, faze-lo falar, de alguma maneira, em função da nossa necessidade de estabelecer referencias e representar nossa própria existência como processo orientado para uma atualização permanente de nós mesmos.


Precisamos de identidade e digerir nossa experiência de mundo no acumulo caótico de vivencias que definem a vida. Mas quanto mais nos ocupamos do nosso passado, ampliamos a consciência da perenidade e fragilidade de tudo que vivemos. Mesmo assim, temos fome de memorias. Mesmo que elas não ofereçam qualquer substancia a experiência concreta do simples agora.

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