Já em minha primeira década de vida o universo das histórias em quadrinhos
, dos desenhos animados e dos filmes de
ficção, ocuparam o centro das minhas preocupações cotidianas de primeira
infância. Não tomava a fantasia como algo contrário à realidade, mas como parte
essencial dela.
Também já era evidente meu gosto
pela musica que muito precocemente se tornou um componente muito presente no
mais simples dos fatos corriqueiros. Minha mãe, além de cantar enquanto
realizava as tarefas domesticas nos finais de semana ou antes de ir trabalhar,
as vezes tocava acordeon.
O mais próximo que cheguei na infância
de uma educação musical foi brincando com um piano vermelho que minha irmã
ganhou em algum de seus primeiros aniversários. Fora isso, um pouco mais tarde,
quando minha tia frequentou aulas de violão, gostava de observa-la tocando e
cantando sucessos da época. Quando possível brincava com seu instrumento. Mas
não era capaz de desvendar sozinho os segredos do violão.
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Uma das coisas que mais gostava
de fazer quando criança era correr. Era rápido e tinha orgulho disso, mas não
tinha qualquer vocação para a prática esportiva
e detestava as aulas de educação física. Correr apenas me dava uma
profunda sensação de liberdade. Isso atingiu um outro nível quando em um natal
qualquer eu e minha irmã ganhamos bicicletas. Na época o presente que qualquer
criança mais poderia desejar. A minha era vermelha e a dela era azul. Tinha uma
predileção acentuada pela cor vermelha. Mesmo com as rodinhas adicionais ao período
de aprendiz da arte das pedaladas, já me atrevia a ensaiar algumas corridas.
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O que posso concluir aqui é que
tinha alguns potenciais e aptidões que nunca desenvolvi. Acho que as coisas que
deixei de aprender ou fazer, todas aquelas possibilidades esboçadas e
atrofiadas, me definem mais do que tudo aquilo que fiz e concretizei.

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