terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PRIMEIRAS APTIDÕES IMPERTINENTES

Já em minha primeira década  de vida o universo das histórias em quadrinhos , dos desenhos  animados e dos filmes de ficção, ocuparam o centro das minhas preocupações cotidianas de primeira infância. Não tomava a fantasia como algo contrário à realidade, mas como parte essencial dela.

Também já era evidente meu gosto pela musica que muito precocemente se tornou um componente muito presente no mais simples dos fatos corriqueiros. Minha mãe, além de cantar enquanto realizava as tarefas domesticas nos finais de semana ou antes de ir trabalhar, as vezes tocava acordeon.

O mais próximo que cheguei na infância de uma educação musical foi brincando com um piano vermelho que minha irmã ganhou em algum de seus primeiros aniversários. Fora isso, um pouco mais tarde, quando minha tia frequentou aulas de violão, gostava de observa-la tocando e cantando sucessos da época. Quando possível brincava com seu instrumento. Mas não era capaz de desvendar sozinho os segredos do violão.

@

Uma das coisas que mais gostava de fazer quando criança era correr. Era rápido e tinha orgulho disso, mas não tinha qualquer vocação para a prática esportiva  e detestava as aulas de educação física. Correr apenas me dava uma profunda sensação de liberdade. Isso atingiu um outro nível quando em um natal qualquer eu e minha irmã ganhamos bicicletas. Na época o presente que qualquer criança mais poderia desejar. A minha era vermelha e a dela era azul. Tinha uma predileção acentuada pela cor vermelha. Mesmo com as rodinhas adicionais ao período de aprendiz da arte das pedaladas, já me atrevia a ensaiar algumas corridas.

@

O que posso concluir aqui é que tinha alguns potenciais e aptidões que nunca desenvolvi. Acho que as coisas que deixei de aprender ou fazer, todas aquelas possibilidades esboçadas e atrofiadas, me definem mais do que tudo aquilo que fiz e concretizei.


Nenhum comentário:

Postar um comentário