Os anos 80 foram marcados por
diversas guerras: Invasão soviética do Afeganistão (1979-1989), invasão de Granada
pelos Estados Unidos (1983), Guerra Irã Iraque (1980-1988), Guerra das Malvinas
(1982), dentre outras. Além disso, definia o imaginário coletivo a ameaça de uma terceira
guerra mundial e um hecatombe nuclear provocado pelas tensões sempre renovadas
da Guerra Fria.
Era natural, portanto, que a guerra
me fascinasse neste segundo momento da minha infância e tanto me alimentasse a
imaginação. Um dos brinquedos mais
populares da década eram pequenas coleções de miniaturas dos principais exércitos da segunda guerra. Também
adorava filmes de guerra.
Posso dizer que nos primeiros
anos desta década fiquei um pouco obcecado pelo tema. O que de modo algum
afetava meu comportamento cotidiano. Nunca fui uma criança violenta. Mas o
assunto era de fato excitante para qualquer menino da minha idade que, muito
ingenuamente, vincula a imagem da guerra e suas batalhas a heroísmo e aventura.
Não levava em conta o lado sombrio de uma guerra, a barbárie que ela
representava.
Quando se é criança não somos
afetados em nossas opiniões pelos dilemas éticos e constrangimentos culturais inerentes a
condição de adulto de modo muito direto. O importante aqui é reconhecer que a nova década introduziu uma paisagem existencial bem diferente daquela que caracterizara a anterior. Mesmo sem pensar muito sobre isso, minha vida privada mudava junto com o mundo. Mesmo eu não prestando muita atenção nisso.

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