
Graças a localização da nova
escola, na área mais central da cidade, tive a oportunidade de conhecer melhor
a cidade em que morava o que, de certa maneira, ampliou minha percepção da realidade ou do mundo,
deslocando o espaço privado e domestico do centro de minhas vivencias.
Depois do expediente
frequentemente caminhava junto com alguns colegas de turma até o centro da
cidade. Era comum visitar lojas ou simplesmente andar pelas ruas. Pessoalmente,
tinha por referencia a livraria do estudante por conta dos gibis. Aliais, hoje
em dia, uma coisa que tenho dificuldades para entender, é como não descobri
naquela época qualquer outro garoto da minha idade com quem compartilhar o
interesse. Eu era um leitor solitário. Estava bem assim. O que não diminui o
estranheza que me provoca hoje a ausência de interlocutores.
Seja como for, o meu
relacionamento com meu pares na escola era tranquilo. Me sentia adaptado e
integrado ao ambiente escolar e ia descobrindo aos poucos o mundo e as pessoas.
Só não posso deixar de observar que, independente disso, me sentia
introspectivo e centrado em meu mundo particular de fantasias.
Aliais, não sei precisar em que
momento, nestes primeiros anos da década
de 80, ultrapassei a infância e mergulhei na pré adolescência. A recusa da
religião foi um sintoma deste amadurecimento. Mas não foi o único. Não sei
precisar exatamente quando deixei de brincar como uma criança. Falo das
tampinhas e da turma da Girafa ou dos bonecos de aventura. Não posso precisar quando
sofri o desencanto ou minha imaginação recuou frente uma consciência mais concreta
da realidade e uma orientação mais pragmática em relação ao real. Seja como
for, no início dos anos oitenta eu já não me sentia mais o mesmo.





Nenhum comentário:
Postar um comentário