segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

PRÉ ADOLESCÊNCIA NO INICIO DOS ANOS 80




Graças a localização da nova escola, na área mais central da cidade, tive a oportunidade de conhecer melhor a cidade em que morava o que, de certa maneira, ampliou  minha percepção da realidade ou do mundo, deslocando o espaço privado e domestico do centro de minhas vivencias.

Depois do expediente frequentemente caminhava junto com alguns colegas de turma até o centro da cidade. Era comum visitar lojas ou simplesmente andar pelas ruas. Pessoalmente, tinha por referencia a livraria do estudante por conta dos gibis. Aliais, hoje em dia, uma coisa que tenho dificuldades para entender, é como não descobri naquela época qualquer outro garoto da minha idade com quem compartilhar o interesse. Eu era um leitor solitário. Estava bem assim. O que não diminui o estranheza que me provoca hoje a ausência de interlocutores.

Seja como for, o meu relacionamento com meu pares na escola era tranquilo. Me sentia adaptado e integrado ao ambiente escolar e ia descobrindo aos poucos o mundo e as pessoas. Só não posso deixar de observar que, independente disso, me sentia introspectivo e centrado em meu mundo particular de fantasias.


Aliais, não sei precisar em que momento, nestes primeiros  anos da década de 80, ultrapassei a infância e mergulhei na pré adolescência. A recusa da religião foi um sintoma deste amadurecimento. Mas não foi o único. Não sei precisar exatamente quando deixei de brincar como uma criança. Falo das tampinhas e da turma da Girafa ou dos bonecos de aventura. Não posso precisar quando sofri o desencanto ou minha imaginação recuou frente uma consciência mais concreta da realidade e uma orientação mais pragmática em relação ao real. Seja como for, no início dos anos oitenta eu já não me sentia mais o mesmo.  

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