A partir da quinta da série do
ensino fundamental na escola nova, a classe ou série escolar passou a significar
uma referencia identidária cara para mim. Afinal, caso não fosse eventualmente
reprovado, frequentaria a mesma “turma” até o termino do ensino fundamental na
oitava série. Isso fortalecia os laços e a identidade grupal da “turma”.
Evidentemente, de um ano para o outro, ocorriam algumas baixas. Mas eram mínimas
e, portanto, irrelevantes para
manutenção da identidade do grupo.
Mesmo me sentindo perfeitamente
parte da minha “turma”, não deixava por isso de permanecer muito centrado em
meu próprio mundo particular. Assim, nunca fui do tipo muito popular, mas
também não passava despercebido. Talvez por ter o nariz tão enfiado em gibis e
os olhos presos a TV eu tenha me convertido desde cedo em alguém meio exótico ou
destoante dos demais.
De fato, não posso negar minha
evidente tendência a adoção de comportamentos exóticos. Isso sem a mínima pretensão
de chamar atenção. Nestes anos, por exemplo, comecei a escrever histórias em
pequenas prosas. Era uma tarefa constante. Por isso adquiri o costume de
carregar sempre uma prancheta de acrílico com alguns papeis. Á quase todo
momento estava rabiscando alguma coisa. Não demorou muito e passei a ser
conhecido pela companhia da minha inseparável prancheta.
AS histórias que escrevia naquela
época não eram grande coisa. Não passavam de narrativas inspiradas em HQs e,
por isso, contavam sempre com personagens fantásticos e situações insólitas. Em
casa me dedicava mais a desenhar histórias em quadrinhos. Assim, apesar da
novidade de vivenciar pela primeira vez algum tipo de socialização, meu mundo
interior, se assim se pode dizer permanecia no centro das minha experiência de
mundo.

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