sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

UMA INTRODUÇÃO A "TURMA"

A partir da quinta da série do ensino fundamental na escola nova, a classe ou série escolar passou a significar uma referencia identidária cara para mim. Afinal, caso não fosse eventualmente reprovado, frequentaria a mesma “turma” até o termino do ensino fundamental na oitava série. Isso fortalecia os laços e a identidade grupal da “turma”. Evidentemente, de um ano para o outro, ocorriam algumas baixas. Mas eram mínimas e, portanto,  irrelevantes para manutenção da identidade do grupo.

Mesmo me sentindo perfeitamente parte da minha “turma”, não deixava por isso de permanecer muito centrado em meu próprio mundo particular. Assim, nunca fui do tipo muito popular, mas também não passava despercebido. Talvez por ter o nariz tão enfiado em gibis e os olhos presos a TV eu tenha me convertido desde cedo em alguém meio exótico ou destoante dos demais.

De fato, não posso negar minha evidente tendência a adoção de comportamentos exóticos. Isso sem a mínima pretensão de chamar atenção. Nestes anos, por exemplo, comecei a escrever histórias em pequenas prosas. Era uma tarefa constante. Por isso adquiri o costume de carregar sempre uma prancheta de acrílico com alguns papeis. Á quase todo momento estava rabiscando alguma coisa. Não demorou muito e passei a ser conhecido pela companhia da minha inseparável prancheta.


AS histórias que escrevia naquela época não eram grande coisa. Não passavam de narrativas inspiradas em HQs e, por isso, contavam sempre com personagens fantásticos e situações insólitas. Em casa me dedicava mais a  desenhar  histórias em quadrinhos. Assim, apesar da novidade de vivenciar pela primeira vez  algum tipo de socialização, meu mundo interior, se assim se pode dizer permanecia no centro das minha experiência de mundo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário