Não tenho muito a dizer sobre os
meus primeiros anos de ensino fundamental. Na época via a escola como uma
obrigação abstrata que não representava nada para mim. Durante as aulas minha
maior expectativa era voltar para casa.
Neste período não fiz amigos
entre meus colegas de classe. Não tenho muito do que lembrar desta fase
escolar. Simplesmente não dava grande importância a rotina escolar. Ela apenas
atrapalhava minha rotina privada. Principalmente por conta da desagradável
obrigação dos deveres de casa. Era comum a noite, após assistir TV, minha mãe cobrar
as tarefas da escola e tirar eventuais duvidas. Terminada a obrigação era um
grande alivio poder ir dormir. Nem me importava muito com o escuro. Dormia com
a cabeça coberta pelos lençóis e cobertores.
Além disso, minha mãe me fazia
participar de alguns eventos desagradáveis do calendário escolar que eu
considerava desagradáveis como, por exemplo, os desfiles do dia da
independência e as festas juninas. Naquela época a escola nos ensinava a
obedecer e não a pensar, de modo que havia uma naturalização da coerção branda
que me induzia a participação em tais eventos.
Um detalhe interessante é que
minha mãe era professora primaria e eu tinha o habito de ajuda-la na impressão
de provas escolares no velho mimeógrafo. Pode-se dizer, portanto, que a rotina escolar, de certa forma, era parte da
minha vida domestica.
Um detalhe interessante é que as
provas eram um momento em que os professores dialogavam com os alunos através
de pequenos recadinhos avaliando a prova como um todo ou a resposta especifica
a determinadas questões. Tais mensagens eram muito valorizadas. Não tenho nada
de mais relevante para falar sobre as experiências do primeiro ciclo de ensino fundamental.
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