terça-feira, 13 de dezembro de 2016

CASTIGOS

Durante a infância tinha uma relação afetuosa com meus pais. Mas  isso não me isenta de avaliar que na época em que cresci a relação entre pais e filhos era definida por uma dose excessiva de autoritarismo. A coerção e o adestramento eram  ainda naturalizadas premissas da educação familiar. Não havia qualquer pudor em recorrer com frequência a pedagogia do castigo físico.

Muitas vezes eu considerava a punição injusta e, adotando a postura desafiadora que me era possível então, reagia com os xingamentos que conhecia a cada chinelada. Isso servia para aumentar o castigo. Mas creio que também ajudou a forjar meu senso de individualidade.


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