Durante a infância tinha uma
relação afetuosa com meus pais. Mas isso
não me isenta de avaliar que na época em que cresci a relação entre pais e
filhos era definida por uma dose excessiva de autoritarismo. A coerção e o
adestramento eram ainda naturalizadas
premissas da educação familiar. Não havia qualquer pudor em recorrer com frequência
a pedagogia do castigo físico.
Muitas vezes eu considerava a
punição injusta e, adotando a postura desafiadora que me era possível então,
reagia com os xingamentos que conhecia a cada chinelada. Isso servia para
aumentar o castigo. Mas creio que também ajudou a forjar meu senso de
individualidade.
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