Durante os anos de ensino médio não era ainda muito claro
para mim o que faria da vida. Ter uma profissão era apenas uma necessidade pragmática
e eu não tendia a qualquer vocação. O curso técnico, bem ou mal, me empurrava em
determinada direção. Mas eu não conseguia me imaginar exercendo o que aprendia.
Basicamente, eu contava apenas com a possibilidade de um diploma e depois tentar alguma faculdade.
A rotina de escola técnica era
divertida e tinha especial entrosamento com meus colegas de sala. Fora isso eu
começava a ser considerado uma figura exótica. Na verdade, contaminado por
fantasias utópicas inspiradas por
interpretações muito pessoais da contra cultura dos anos 60, comecei a
vislumbrar estratégias para “mudar o mundo”. Cheguei a reunir um pequeno grupo
de alunos para promoção de alguns debates sobre o sentido da vida. Hoje acho
tal iniciativa ridícula e não sei como consegui convencer alguém a participar
desta patética experiência. Mas não foram mais do que duas ou três reuniões. Fora
isso, comecei a escrever sistematicamente poesia e gastava boa parte do meu
tempo com isso. Fui um adolescente introspectivo e com tendências a crises
existenciais.
Uma preocupação mais pragmática quanto
ao futuro só se colocou quando terminei o ensino médio e tive que fazer um estágio
articulado pela própria escola através de alguns convênios com empresas locais.
Acabei optando por estagiar no local mais distante de casa. Escolhi uma empresa
pública na paradisíaca região de Búzios.
Era a oportunidade de pela primeira vez
sair de casa. Nascido em uma cidade pequena, nutria a ilusão tipicamente
provinciana de que além dos muros de casa existia um mundo maravilhoso a ser
descoberto. Por outro lado, sabia que uma educação profissionalizante não era absolutamente o que faria de mim alguém na
vida.
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