terça-feira, 27 de dezembro de 2016

DILEMAS DO ENSINO MÉDIO

Durante os  anos de ensino médio não era ainda muito claro para mim o que faria da vida. Ter uma profissão era apenas uma necessidade pragmática e eu não tendia a qualquer vocação. O curso técnico, bem ou mal, me empurrava em determinada direção. Mas eu não conseguia me imaginar exercendo o que aprendia. Basicamente, eu contava apenas com a possibilidade de  um diploma e depois tentar alguma faculdade.

A rotina de escola técnica era divertida e tinha especial entrosamento com meus colegas de sala. Fora isso eu começava a ser considerado uma figura exótica. Na verdade, contaminado por fantasias utópicas inspiradas  por interpretações muito pessoais da contra cultura dos anos 60, comecei a vislumbrar estratégias para “mudar o mundo”. Cheguei a reunir um pequeno grupo de alunos para promoção de alguns debates sobre o sentido da vida. Hoje acho tal iniciativa ridícula e não sei como consegui convencer alguém a participar desta patética experiência. Mas não foram mais do que duas ou três reuniões. Fora isso, comecei a escrever sistematicamente poesia e gastava boa parte do meu tempo com isso. Fui um adolescente introspectivo e com tendências a crises existenciais.


Uma preocupação mais pragmática quanto ao futuro só se colocou quando terminei o ensino médio e tive que fazer um estágio articulado pela própria escola através de alguns convênios com empresas locais. Acabei optando por estagiar no local mais distante de casa. Escolhi uma empresa pública  na paradisíaca região de Búzios. Era  a oportunidade de pela primeira vez sair de casa. Nascido em uma cidade pequena, nutria a ilusão tipicamente provinciana de que além dos muros de casa existia um mundo maravilhoso a ser descoberto. Por outro lado, sabia que uma educação profissionalizante não  era absolutamente o que faria de mim alguém na vida.

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