quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

ESCOLA E CRESCIMENTO PESSOAL

Minha primeira escola era administrada por uma velha e conservadora  diretora que também era dona da instituição  impondo uma disciplina militar ao cotidiano da instituição. Já a segunda escola na qual terminei o ensino fundamental, possuía uma diretoria compartilhada por três irmãs idosas cujo conservadorismo não interferia no cotidiano do estabelecimento. Confesso que esta segunda escola me agradava mais. Não era obrigado a cantar o hino nacional todos os dias ou musiquinhas religiosas na ultima aula do dia para agradecer a rotina de aprendizado.

Os alunos mais adiantados me despertavam certa admiração e inveja. Pareciam gozar de mais liberdade e personificavam aquele ideal rebelde de juventude com o qual apenas estava começando a ter algum contato. Como a maioria das  crianças cultivava certa ansiedade pelos estágios seguintes da vida: a adolescência e a fase adulta. Pensava, por exemplo, na possibilidade de poder assistir no cinema todos os filmes que bem entendesse sem sofrer as interdições impostas aos infantes. Raramente ia ao cinema nos anos oitenta. Mas as poucas vezes que fui foram momentos mágicos.  Considerando que até o inicio dos anos oitenta a TV em cores ainda  era um artigo de luxo, a experiência de ver filmes na telona  impactava os telespectadores de um modo difícil de imaginar hoje em dia.


A escola nova representou para mim um certo amadurecimento. Na medida em que começava a interagir de modo mais pessoal com meus pares, reaprendia o mundo e transcendia as representações ingênuas formatadas pelo cotidiano familiar.

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