Minha primeira escola era
administrada por uma velha e conservadora diretora que também era dona da instituição impondo uma disciplina militar ao cotidiano da
instituição. Já a segunda escola na qual terminei o ensino fundamental, possuía
uma diretoria compartilhada por três irmãs idosas cujo conservadorismo não
interferia no cotidiano do estabelecimento. Confesso que esta segunda escola me
agradava mais. Não era obrigado a cantar o hino nacional todos os dias ou
musiquinhas religiosas na ultima aula do dia para agradecer a rotina de
aprendizado.
Os alunos mais adiantados me
despertavam certa admiração e inveja. Pareciam gozar de mais liberdade e
personificavam aquele ideal rebelde de juventude com o qual apenas estava
começando a ter algum contato. Como a maioria das crianças cultivava certa ansiedade pelos
estágios seguintes da vida: a adolescência e a fase adulta. Pensava, por
exemplo, na possibilidade de poder assistir no cinema todos os filmes que bem
entendesse sem sofrer as interdições impostas aos infantes. Raramente ia ao
cinema nos anos oitenta. Mas as poucas vezes que fui foram momentos mágicos. Considerando que até o inicio dos anos oitenta
a TV em cores ainda era um artigo de
luxo, a experiência de ver filmes na telona impactava os telespectadores de um modo difícil
de imaginar hoje em dia.
A escola nova representou para
mim um certo amadurecimento. Na medida em que começava a interagir de modo mais
pessoal com meus pares, reaprendia o mundo e transcendia as representações ingênuas
formatadas pelo cotidiano familiar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário