Meu avô tinha uma personalidade
forte. Partriacal e autoritário, não seria alguém com quem hoje me relacionaria
sem conflitos. Mas convivi mais intensamente com ele na velhice, quando a idade
já o havia dobrado e o convertido em um senhor simpático e meio abobalhado. Depois
da morte da minha avó, a dele nos anos 90 foi a segunda grande perda afetiva
que vivi. Aqui estou em seu colo no quintal da sua casa. Ele ainda era bastante
moço na ocasião. A foto deve datar de 1972 ou 1973.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.

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