Lembro-me de quando minha avó
morreu após passar um tempo internada em um hospital. Eu e minha irmã ainda não
entendíamos direito a morte e o que efetivamente estava acontecendo. Lembro-me
do corpo da minha avó acomodado dentro do caixão sobre a mesa da sala de casa
durante o velório. Apesar do meu medo diante daquela situação minha mãe me fez
aproximar-se dela após me tomar no colo. Na ocasião cortou uma mecha de seu
cabelo branco para guardar de lembrança.
Fomos poupados do enterro.
Ficamos na casa vizinha onde morava um dos meus tios paternos com a família.
Nas semanas que se seguiram a morte da minha avó eu e minha irmã apresentamos
um comportamento mais agressivo e tenso. Sentíamos sua falta, mesmo sem
entendermos direito qualquer coisa sobre luto ou o que era o morrer. Era 1979,
e perda da minha avó pode ser tomado como um divisor de aguas dos meus
primeiros anos.
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