Duas datas realmente importantes
para mim durante a infância era o dia do meu aniversário e o natal. Ganhar
presentes, o que era sinônimo de ganhar brinquedos, era uma ocasião esperada
com ansiedade por vários meses. Não era raro antecipadamente escolher o objeto
desejado e antecipadamente ficar sonhando com ele após realizar o necessário
lobby com os adultos. Como meu aniversário era próximo ao dia das crianças,
sempre exigia ganhar dois presentes, no que de modo geral era atendido.
Quanto ao natal, desde cedo minha
mãe estabeleceu o habito de escrever cartinhas de papai Noel. Usava sua própria
letra nas missivas, mas eu e minha irmã nunca desconfiamos da delicada farsa.
Pelo contrário, levávamos muito a sério os conselhos e avaliações do papai Noel
do nosso comportamento ao longo do ano e descobríamos com emoção os brinquedos
escondidos debaixo da cama. Lembro-me vivamente do ano em que finalmente ganhei
um ferrorama. Um dos brinquedos mais cobiçados na época. Foram longas horas
dedicadas ao brinquedo sob seu irresistível encanto.
Também era habito montar uma arvore
de natal em casa. Gostava de observa-la brilhando no escuro e de todo aquele clima de
fim de ano. A programação da TV era mais direcionada a audiência infantil através de desenhos e filmes sobre natal. Não tínhamos, entretanto, o habito de fazer ceia no dia 24. Não tenho o
pudor de dizer que o natal era para mim apenas uma ocasião para ganhar
presentes e comer mais coisas gostosas do que em outra ocasião.


















