Lembrar minha existência ao longo
das últimas décadas e tentar produzir um balanço provisório da minha curta
presença no mundo, causa certa melancolia. A condição humana é insignificante e
banal. Irrelevante do ponto de vista da natureza. Não há nada de especial em
meu acontecer no mundo e o valor que dou as pessoas e experiências vividas é
definido pela irracionalidade do afeto envolvido na afirmação de tudo aquilo
que intimamente me definiu o mundo e a
vida. Em poucas palavras, minha existência é tão irrelevante quanto qualquer
outra e a singularidade do meu estar aqui agora não quer dizer absolutamente
nada. Sei que minha biografia interessa apenas a mim mesmo e, por mais que eu
tente, nunca conseguirei compartilhar com alguém a experiência concreta de ser
eu mesmo. Alais, mesmo se isso fosse possível, não tornaria minha existência mais
interessante.
O que faço aqui não é exatamente um balanço biográfico, mas um esforço singelo para preservar o mundo tal como se apresentou para mim. Tento estabelecer a narrativa definidora da minha existência, os caminhos da minha finitude e meu modo próprio de me inscrever em uma determinada época e configuração de mundo. Aqui me ocupo de todos os tempos de mim mesmo em finitude e espanto. Levo a cabo um balanço provisório de quem fui em minha experiência de mundo.
Carlos, todos os dias venho aqui pois todos os dias quero saber de voce.Sua biografia interessa a mim, tudo de voce me importa,pra mim voce e o humano mais lindo do mundo inteiro.
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